Divagar. Ter sabido de ti, ser capaz. Ser bem mais do que o hábito que costumavas ter. Intoxicação de exageros curativos a longo-prazo. Ainda ando um pouco nisto do corda bamba e do se é suficiente então não quero saber em alterar qualquer coisa que seja. Vejo então um maço de tabaco pousado na mesa como se fosse uma '38 carregada de balas. Vai-se pelo dia dentro, afoga-mo-nos em sorrisos perdidos e desconhecidos. Na janela do carro pensamos no último reflexo que vimos ontem a noite. Provavelmente, o nosso reflexo predilecto. Porque é a noite que nos despedimos das pessoas que desejávamos cravar um tiro e no entanto morrer por elas. Os nossos reflexos predilectos ainda que nos desfaçam em cacos de vidro são muito mais do que aquilo nos poderia cortar os fios de ligação definitivamente. Ecoa o sorriso bonito no nosso ouvido. Sentimos a pessoa mesmo encostada no nosso ombro. Como se tivesse logo aqui a pedir para que larguemos o cigarro. A pedir que não cravemos o tiro. Perdemos o lume dos caminhos. O incenso do bom perfume. As cinzas que guardamos nos jarros da nossa mente de estáveis memórias. Afinal, acabamos sempre por perder seja o que for... Por isso, dá-me lume. Deixa-me fumar.
11 de maio de 2013
8 de maio de 2013
7 de maio de 2013
Breaking The Habit
A vida é um mar salgado. Os relógios não param. O problema é que pensamos que temos tempo. O problema é que dizemos que daquela água nunca beberemos e logo de seguida aquela mesma água é o nosso meio de sobrevivência. Percebi isso no dia em que abri o meu armário e o teu cadáver caiu em cima do meu colo. Amei-te ao invés de te enterrar. Quando pensara ter coragem para te enterrar, cravas-te-me de uma maneira profunda as tuas rédeas em mim. E, na despedida nunca calculaste que existiria tanto por dizer. Palavras que pelo o sal ainda vivem. Porque o sal as conserva e o mar as beija. Agora, o teu cadáver não deambulava mais aqui por casa. Quebrei-te os ossos, ceguei-te os olhos. Aliás, ceguei os meus próprios olhos. Disse, então, a mim mesma que para ser aquilo que era quando não te encontrei teria de saber que os frutos proibidos são venenos. E, ainda que gostasse de provar venenos e sentir que estava a pisar uma bomba atómica esta bala teria de furar outro peito diferente que não o meu. Não guardo palavras de excelência para ti. Cartas de amor ficaram sem sentido. Dali para a frente, não exercia mais a capacidade de te ver com uma boa memória. Como posso eu ver-te assim se tudo o que me deixas-te foram feridas, imensas, a sangrar pelos os dias a dentro? Não posso. Exactamente. As últimas palavras que tenho para dizer já eu não tenho paciência para referi-las. Tu és um assunto tabu. O maior assunto pudico que tenho. Aliás, o único. Não sei falar de ti. Não quero voltar a aprender a fazê-lo. Não falo de ti. Não me convences. Não me excitas. Não me prendes. Não me seguras. Não. Apenas não. Escrevo-te, hoje, porque ficou simplesmente tanto para dizer. Porque, de certo, desejaria superar-te como se supera um desafio. Se consegui, não sei. A muito que deixei de fazer perguntas a mim própria as quais saberia que não iria ter resposta. Tu és como o fumo do meu tabaco. Desvaneces no ar. Ou seja, não és nada. Zero. Negativo. Enquanto te realmente encaro assim reparei que tinha retirado todas as balas do meu corpo. Sem pestanejar. Sem sentir. Sem dialogar. Sem precisar. Cozi os buracos com o bom-senso. Se o destino me fizer cruzar contigo outra vez, mato-o. Escrevo-te, porque, enfim... Nunca te vi com tomates para ter uma última conversa. A que ditava o final ainda que o tivesses ditado sem dizeres a ponta de um chavo. Perdoa-me... Para mim não passas de um puto egocêntrico. Se não o és, lamento, foi isso que me mostras-te. Egocentrismo no seu belo estado puro e duro. Não quero saber de ti e sabe-me bem não saber de ti. Não quero saber dos teus finais. Dos teus princípios. Das tuas histórias. Não quero saber das palavras, já.
Tic-Tac. O tempo acabou. A circulação parou. O relógio dita as horas. Sorrisos que amo, quando penso saber sentir, pairam lá fora e apanhei-os a todos. Tic-Tac. Despedidas, quem gosta delas...
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