As palavras negras que cuspias retirei-lhe o veneno. Já sei que para ti, aos teus olhos, não passo de um estilo mal feito. De um estilo mal comportado. Os teus passos na minha calçada nunca estiveram presentes. Dentro de paredes somos estranhas. Cá fora, tu apregoas a minha presença. Mas, onde é que a minha presença se situa quando chego a esta casa de loucos, pequena, enfadonha e cinzenta? Vou lá fora fumar um cigarro porque gosto de ver o fumo a esfumaçar por entre o ar que não me dás... Convenço as minhas entranhas viscosas que terei a capacidade de te perdoar tudo... No entanto, não sorrio quando o meu desejo é perdoar-te tudo. Esforço-me mentalmente para te entender. Os anos passaram e não consegues argumentar-te em tom baixo para que me possas ouvir. Foda-se, sou mais do que aquilo que queres ver. És um cubículo cheio de corredores e portas trancadas. Sou eu que te consumo? Não te consigo senti. Tenho cinco sentidos e não te consigo sentir! E, tu, não calculas a angustia que me envolve quando reparo que o castanho dos meus olhos é o mesmo castanho dos teus olhos. Naqueles dias em que perdia tempo a gritar-te que os bens materiais que me dás não são nada quando não existe amor. Ainda bem que posso sonhar... É que nos meus sonhos tu és a minha mãe. Já reparaste? Interecta-te. A merda do Mundo, a mais bela merda que temos, não gira à tua volta. Quero chegar a casa e poder dizer boa tarde, porque, ya é mesmo uma boa tarde. Quantas boas tardes já partilhamos? Conto-as pelos dedos e os lamentos que proferia por não me conheceres... Já lá vão. Não me conheces. Digo-te hoje, morrerei a dizê-lo com toda a força das minhas artérias. Não me conheces porque sou melhor do que alguma vez serás. Não te abandonarei porque todas as lições que me deste a mal foram aprendidas. Estão entranhadas... Percebo que entre nós não exista volta a dar, nem nós para amarrar, nem pontas para queimar... No entanto, percebe que se querias que fosse aquilo que desejas... Que tinhas que me ensina-lo a sê-lo. Cresci e nem deste conta. Hoje sou aquilo que tu não queres. Fumo picas, governo o meu Mundo sozinha, afirmo-me. Não te preocupes porque a cena que me une a ti... É love. Cavo covas profundas e enterro nessas mesmas covas toda a merda que explode vindo de ti e vem contra mim... Só quero que saibas que sou mais do que aquilo que vês.
16 de setembro de 2013
14 de setembro de 2013
desculpem a ausência
Ando desocupada de tudo! De sentimentos, de pessoas. Dos giros do Mundo. De mim. De nós. De todos. Sempre fui da opinião que é tão fácil escrever sobre os abismos em que estamos prestes a cair do que a beleza que, finalmente, construímos no nosso interior. É que o Mundo ofusca-se se formos belos para nós mesmos.
26 de agosto de 2013
são merdas do dia a dia mas acredita que na vida a merda varia
Dão um berro e tiram-te da cama. Aquele ciclo vicioso acabou e o espelho é o teu melhor amigo. Sais à rua e sentes que és de ferro. Vais tomar um café e vês uma fucking gostosona com a pinta de cadela em cio. Mas, por vezes, tens a noção que aquele astuto não se parece contigo. Cagas nesse aspecto, acabas o teu café, e vais ter com os teus tropas. Amizades de anos em que os entraves de tempos passados, agora, são contados de uma maneira engraçada. Anedotas fodidas de putos com metro e meio que não tinham limites, nem receio. A tua maneira de vestir já não é para agradar ninguém. A tua maneira de falar é aquela a que te habituas-te e, hoje, putos de 14 anos usam as expressões que tu usam com os teus tropas e isso faz-te rir. Porque aquelas expressões ensinaram-te a reflectir quem te tirou vida e quem te a pôs na devida moral. Hoje, é dia de ir à ribeira, mas apanhar uma real bezana já não te diz nada. Só queres aquela boa vibe e sentir que os teus estão felizes da maneira que querem. Olhas à tua volta e vês ambulâncias por todo o canto. Cadelas a vomitarem-se todas e patakeiros cheios de confiança agressiva. Nos teus 14 anos, tu nem tinhas a noção do que era uma real bezana mas sabias que se apanhasses, levavas chapada da mãe zeza. Hoje, tu tens a tua liberdade. E, conheces putos que esperam que os papás se deitem para fugir de casa. A mãe zeza pergunta onde vais e com quem mas sabe que tens juízo porque o respeito e valores sempre foi o prato do dia e jamais a mãe zeza aceitaria buscar-te ao hospital com uma moca de caixão à cova. Hoje, os putos, fazem da casa deles o hospício dos malucos e os pais os escravos. Antigamente, nos teus 14 anos, tu conhecias as pessoas e as pessoas conheciam-te a ti. Os putos hoje querem cona. Vão pra cama sem preservativos e nasce um fruto com valores desconhecidos. E, o que, era impensável nos teus 14 anos tornou-se num ciclo vicioso. No entanto, nem por isso mudes. A tua vida não é a conta que a sociedade faz. A tua vida é a conta que tu somas-te. Lembra-te, só, que a ti mesmo é a quem deves os maiores valores.
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