29 de setembro de 2013

um bicho de oito cabeças

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Estou mais feia, mais velha e estou a ficar corcunda. 
Vim escrever sobre jantares de família. Iam temer, não iam? Escrevo sobre jantares porque é neles que me descrevem. Os meus piercings. As minhas tatuagens. Principalmente, o meu estilo de afirmação, incomoda-vos. Incomoda-vos, principalmente, as alturas em que me perco mas no dia seguinte me encontro sempre. Incomoda-vos que não me saibam manipular, atingir, repartir, partir, amassar. Mas, minha fiel sub-dita família, foram os chapeiros deste aço. Vocês que são aliados a comparações de poderes. Não trabalho, não tenho carta de condução, não tenho dinheiro nem para mandar cantar um cego perto de santa catarina. Ou, não tenho vida porque fumo charros, vou a festas de hip hop e apoio o grafitti? Sou uma drogada. Uma sem caminho. Um dia, vão meter esses moralismos no cu e vão-me dizer que vos soube bem porque nunca me impingi o medo de ser diferente, nem a frente dos vossos faros mas sei o que é vida. Todos sabemos. Foi isso que nos deram para estudar, explicar, analisar e concluir com argumentos, idiotas. Mas, É isso que vos incomoda não é? Não ser o prototipo. A mãe que é influenciada pela minha tia. A tia dá lições de moral porque fumo charros enquanto que a filha dela engravidou com contas para pagar. O primo perfeito, que tira boas notas, junta dinheiro para comprar roupa bonita, não bebe, não fuma, não fode, não come. O tio meramente filosofo que espancou a mulher com quem casou e inferniza a vida dos filhotes a quem tanto deu. E, sinto a vossa inveja a tentar corroer a minha pele quando farejam a minha liberdade. A minha liberdade perante o Mundo. 

hey luv

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É como as apostas que se executam no poker. A certa altura o cansaço das jogadas comem-nos as peripécias que outrora pensam dominar bem. E, é a quantidade de palavras que usam para descrever momentos eufóricos de sentimentos à flor da pele. E, as vezes, nem se sente nada à flor da pele e é só a sensação de sentir e é tanta a sensação que acabam por sentir aquele forçar no peito do é isto porque é doce mas o meu fruto proibido é amargo. 

22 de setembro de 2013

não uso relogios

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As pessoas morrem mas o tempo avança... Qual é a importância? Morreu a dona esperança, foi naquela tarde de extrema coragem em que se atirou da ponte D. Luís de costas e aproveitou a tranquilidade de fechar os olhos e imaginar que tinha asas. O valor da infância desvanece-se e o tempo passa a ser paka, paka que nos leva a saborear a ganância mas a ganância é um fio associado ao tempo. Como se ao morrermos levássemos os aneis e os dedos. Mas, não... Ficam os anéis e vão-se os dedos. Ás vezes, o tempo é lento. Ás vezes, o tempo é veloz. O tempo leva os meus amores mesmo que peça mais um coche. Mesmo que te ignore, subtil tempo, dá-me mais um momento. Oriento-me. Está frio e se me ouves, esgotas-te porque o meu mau tempo não é chuva. É um tempo que faz arrepiar a minha cota. Putos com quem me cruzas na rua esperam que o tempo dê frutos. Mas, o suco desse fruto está dentro de nós e o tempo quer consumir esse suco. É um suco da juventude! O tempo que nos encontra sempre mesmo que a nossa fuja seja inocente. Marcas o meu compasso de vida e nem esperas por mim. Naquele minuto em que penso o que será por fim, está-me a passar vida nos bastidores e eu sem dar contas que a maior conta, o tempo, me faz pagar. Como abraços que me sufocam, o tempo é como braços que me abraça e me retira saúde que me faz falta. E, se no dia seguinte, acordo a respirar, então, estou bacana. «Abro a janela do berço onde nasci e deixo a dor do Mundo entrar. Ofereço-lhe um cigarro do alto meu andar. Lá em baixo a quem não tenha nada que vestir ou que comer... E, eu fodido da vida pela minha equipa perder?»«Enquanto o Diabo esfrega o olho e vai sorrindo bem contente... O Diabo pisca o olho acena-me como um açaime. Vai a cima, vem a abaixo como um nigga num andaime.» O tempo.