15 de novembro de 2013

o verbo era és. hoje é somos.

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Levita-me. Intensamente nós, um para o outro, somos aquilo que nunca esperávamos ser. Porque, um dia, quem me contasse esta história que é nossa, ria-me feita louca que sou e com certeza iria dizer que nada disto fazia sentido. Porém, faz. Faz sentido à minha maneira porque se não fosse a minha maneira e esse jeito atrevido de seres comigo o que não és nem nunca foste com outras nada teria crescido. Porém, cresceu. Apalpas-me no meio da calçada que tanto piso. Esse quarto, esse corpo e esse sorriso de cabrão atrevido sabem-me de cor não é? Então, para que sabias que toda eu te sei de cor. Mais do que alguma vez pensei em saber de cor alguém. E, se já cometi riscos, tu foste o maior. E, se gosto de riscar, tu irás ser pintado. Ama ou deixa. Fode ou sai de cima. Não saíste de cima. Fodeste com muita convicção. Adoro ouvir o meu nome cravado nos teus lábios. Foi fodido para te conquistar e quanto mais fodido fica mas me dá gana de te amarrar a cama, ao peito, ao calor e aos afins. Não preciso de ti porque sobrevivi sem companhia durante todos estes tempos mas não preciso de ficar sem ti porque, sabe bem, saber que tu és o próprio a querer ficar. Então, fica. Me esquenta. Me ama. Me fode. Me condena. Me faz e me desfaz. Meu chinoca. 

 - Tu és tu - Disse ele numa noite em que batia muito frio. 

9 de novembro de 2013

estado do espirito :)

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Vazia mas de pé. Não insultes a minha inteligência. Pará com isso. Inventa histórias e agora olha o desperdício. Não nego. As cartas ficaram na mesa. Gostas de mim à tua maneira e se a tua maneira não me chega no que é que ficamos? Não ficamos, ya, vamos ficando. Senta-te e fala. Não tem protecção a prova de bala mas quero ouvir-te, sentir-te e expressar-te. Se não te expressas e não me falas ao ouvido como podemos nós ser a nossa única arte? O teu silêncio deixou de me cansar. Não me afectas com o teu desespero. Simplesmente, não. E, simplesmente, ao dizer-te isto só me pedes desculpa? Tou-me a cagar para tuas desculpas. Ama-me ou deixa. Não é dificil. As pessoas são livres. Para além de ti, do nosso fairplay, das nossas tentações, cheiros e sabores tenho vida lá fora. E, tu com esses desvios otários fazes-me ficar parada. Se não queres viver comigo, deixa-me viver, foda-se. Deixa-me. Queres deixar, não suspires, nem penses, deixa. Não te atendo mais nenhuma chamada. Aquela conversa foi a última que tivemos. Ya, as minhas palavras esgotaram-se. Para, escuta e olha. Amor com amor se paga e se não me pagas, que queres que te faça? 

5 de novembro de 2013

Sem título

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Morreste num beco qualquer. Sempre quis que fosses a primeira pessoa que conhecesse a pessoa com quem escolhi partilhar a minha vida. Sempre tive uma pequeníssima e inocente esperança que irias aguentar a rotina claustrofóbica desta casa branca e pequena por mim. Porque, no fundo, tu dizias que era o único suporte na tua vida. Transmitiste-me que aguentarias qualquer substância tóxica por nós. Mas, morreste num beco qualquer. E, nesse beco abriram-te um buraco negro com sete facadas e retiram-te aquele quiça que amava. Sempre precisei de ti nos Natais que faltaste. Sempre sonhei ir contigo para o Porto e beber um fino. Está a chegar... E, tenho que engolir, triturar e fingir que não me fazes falta. Tenho que encarar um jantar repartido aos bocados. Fingir estar cega. Ignorar que me falta sempre qualquer merda naquela mesa ainda que tenha comida e um resto de família toda fodida. Morreste num beco qualquer. Não consigo mais marcar encontros contigo. Porque tu és uma coisa... Uma coisa... Que não conheço. Abraças-me e sinto-me pesada. Dás-me um beijo na testa e sinto-me esquisita. Chamas-me princesa e parece que me cospes na cara ao invés de me embalar. E, quando me deito no teu ombro para chorar não é de Saudades. É da morte que vejo em ti e sinto. A pessoa que mais me fez sentir amor platónico morreu dentro dela própria. Acordei! E, a dor latejou. Afinal, tu não és o mesmo. Eu é que guardei a merda da memória de seres igual e não melhor. Quando sais-te por aquela porta... Escrevi em todas as paredes que iria correr bem... No entanto, não existe nada para correr. Porque tu morreste na merda daquele beco. Naquelas tardes de cigarros e cafés, não conseguia encarar o tempo sem ti. O meu velho. Hoje, passam-se tempos infinitos e sinto uma falta de uma pessoa que deixou de existir. O velho dissecou. Sempre foste assim? Ou, foi a nossa ausência que te matou? Se dizes que choras por mim como choras. Se dizes que morres por mim como morres... . Admito que sou uma filha da puta. Nem o meu próprio pai procuro mas olha que merda... Nem sei onde encontra-lo. Acho que desconheces a Vida que tenho levado ainda que percebas a minha, muito minha natureza selvagem. A tua paciência rebentou com a ampulheta de areia. Devias de ter decidido uma mudança. Repara que nem todos os erros são impermeáveis. Alguns furam e bem. Mudado. Virar a tua vida ao contrário... Mas, nunca fui o suficiente. A filha predilecta nunca foi o suficiente. Para ti nada é o suficiente. Nem sangue do teu sangue. Não fiz tanto quanto podia ou talvez até tenha feito. Olho para trás e sinto que não ficou, entre nós, nada por viver. O tempo é assim... Muda tudo. Faz as cenas voar como os kayas que fumo antes de dormir. Tenho que aceitar viver isto sem ti. Isto que não sei o que é. Mas, vivo. Sobrevivo. Apenas vai chegar mais um: Tu morreste num beco qualquer. Não me procuras-te para pedir ajuda. Deixas-te que o teu espírito enfiasse os cornos numa parede e ali ficou. Somente, esse corpo fraco. 


E, fiquei eu.