5 de fevereiro de 2014

um olhar fodido, abatido e apagado

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A vida é uma rotina que nos come vivos. É fodido chegares a beira da pessoa de quem gostas e veres nela um olhar fodido, abatido e apagado. Porque não há dinheiro e nada dá frutos com sumo. A cabeça não descansa de noite porque existem vidas que são tão filhas das putas que só nos trazem dilemas, esquemas controversos, bolsos vazios. Ele, acorda todos os dias de manhã com um sorriso estampado no rosto mas dormiu sob problemas. Todos eles são como cancro. Fico na cama, sei que permanecer ao lado dele lhe dou mais uma alegria ainda que me magoe não ser o suficiente se tudo o que temos nem é nosso. Não lhe peço presentes. E, tudo o que temos é amor e uma cabana e aprendemos a viver humildemente. Lá no fundo, vejo uma casa bacana. Pequena e cómoda. Será a nossa casa. Recuso-me a deixar de pensar positivo por mais que só saia lixo deste esgoto que é o mundo, a puta da banca e a merda do papel. Que todos os que têm para esbanjar que apodreçam no caralho mais velho. Ou, que pelo menos não esfreguem a packa na cara dos que sobrevivem no meio desta escumalha cheia de jóias e luxos. Estes bois com milhões a acabarem a meta na linha branca... E, deste lado, só há linhas para ler dos ficheiros do centro de emprego. Linhas das facturas. Linhas... 

2 de fevereiro de 2014

sete vida que tu não tens

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Deste-me a maior facada. Ainda hoje quando fumo um e a consciência vai mais a fundo lembro-me de todos os ínfimos pormenores. De todos os dias me cruzar contigo. Ver-te mudar catrastroficamente, dia apos dia... a tua inocência toda fodida por malas e sapatos. Já não eras a miuda das tintas e dos vestidos. As fotos no provadores do shopping desapareceram. Perdias com o tempo porque desejei com toda a força que desaparecessem pelos cantos... mas os traços do teu rosto são como balas no peito. Todos os infimos pormenores. Aprendi a pintar contigo. E, a fazer massa com atum. Pus-te acima de qualquer cena que girasse fora do caralho do teu mundo sossegado. Num dia acordei e todas as minhas conquistas, derrotas, lágrimas e sorrisos tinham estalado. Fiquei vazia, meu. 

E, andei vazia por muito tempo. Tanto tempo que hoje olho para mim e tenho uma mão cheia de amigos mas nada desses me tornaram na merda que tu me tornaste. Não te guardo qualquer tipo de malícia, aliás, aprendi severamente com os meus erros. Hoje antes de guardar as minhas dores nos bolsos para ir consolar as dos outros, espero e reflicto. Sozinha. 

Em todos os sentidos, tu sabes, és uma pigmeu contra uma gigante. No fundo, todos sabemos quando pisamos o risco, perdemos a razão e batemos com os cornos na parede. Todos batemos com os cornos na parede, não penses que és diferente... o tempo é indefinido mas o filha da puta do meu karma vai ser... precisares de mim. 

É fodido perder um amor. Tu choras totil. No entanto, é mais fodido perder uma amizade. Tu choras sete vida que tu não tens. É fodido. 

29 de janeiro de 2014

ofegante

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Imortaliza os momentos em que estás muito perto de mim, ofegante. Debates de amor em conversas de almofada, um abraço amistoso as unhas cravadas nas costas... E, não dizemos as palavras porque as tememos. São proibidas porque gostar está no que sentes, não no que dizes. Sou uma amiga para guardar o que disseste e o que queres dizer, o que partilhas. Amante para te repartir em maravilhas. Imortaliza os instantes em que estás muito perto de mim a respirar ofegante. Entrega-te, fica a minha mercê. Porque gostar é exausto e profundo e nós gostamos. 

Eu sei. Preciso de estar tresloucada de amores por ti porque adoro quando me sentes. Adoro-me quando te sinto. Leva-me para os teus sítios, mostra-me o que nunca vi. Faz-me ser sem mas. 

Tão viva. Esquece a pose do homem seguro para esconderes as saudades que tu não expressas. Ofereço-te uma conversa por telepatia. Sou a tua aventura por isso esquece os dissabores, fala-me de amor. A partir do destino, nós somos santo e pecador. 

Abro o jogo. Disponho as cartas na mesa. Mexo comigo porque se fosse o teu próprio sangue a correr-te nas veias. Este é o nosso karma. Querermos tanto e cedermos ao desejo da carne. Lobos famintos, sim. 

Há dias em que não quero nada contigo. Desprezo-te e rejeito-te e convenço-me de que não queres nada comigo. Lá na esquina encontramo-nos e tu tocas-me como se fosse a última vez. Então, nós gostamos. 

Eu sei.