29 de janeiro de 2014

ofegante

 

Imortaliza os momentos em que estás muito perto de mim, ofegante. Debates de amor em conversas de almofada, um abraço amistoso as unhas cravadas nas costas... E, não dizemos as palavras porque as tememos. São proibidas porque gostar está no que sentes, não no que dizes. Sou uma amiga para guardar o que disseste e o que queres dizer, o que partilhas. Amante para te repartir em maravilhas. Imortaliza os instantes em que estás muito perto de mim a respirar ofegante. Entrega-te, fica a minha mercê. Porque gostar é exausto e profundo e nós gostamos. 

Eu sei. Preciso de estar tresloucada de amores por ti porque adoro quando me sentes. Adoro-me quando te sinto. Leva-me para os teus sítios, mostra-me o que nunca vi. Faz-me ser sem mas. 

Tão viva. Esquece a pose do homem seguro para esconderes as saudades que tu não expressas. Ofereço-te uma conversa por telepatia. Sou a tua aventura por isso esquece os dissabores, fala-me de amor. A partir do destino, nós somos santo e pecador. 

Abro o jogo. Disponho as cartas na mesa. Mexo comigo porque se fosse o teu próprio sangue a correr-te nas veias. Este é o nosso karma. Querermos tanto e cedermos ao desejo da carne. Lobos famintos, sim. 

Há dias em que não quero nada contigo. Desprezo-te e rejeito-te e convenço-me de que não queres nada comigo. Lá na esquina encontramo-nos e tu tocas-me como se fosse a última vez. Então, nós gostamos. 

Eu sei.

1 comentário:

César Sousa disse...

Adoro. Gostei do que escrevste Cláudia !!