14 de fevereiro de 2013

Mocas, Beijos e Segredos

Era feita de plástico. Os seus olhos espelhavam no vazio e desfolhava-se como folhas de Outono. Então, sentia mais do que mostrava e perdia mais do que encontrava e perdia-se a si também. Matava-se. Matava-se a pensar nas virgulas e nos pontos finais. No copos de wisky puro e no caviar caro de sentimentos. No Ás de Espadas que tanto sangrou nas suas costelas. Na sua pele com marcas postiças. Nos seus vícios e jardins proibidos. Em tudo o que se esfumava no nevoeiro só por cima da sua cabeça. É a Vida que é demasiado filha da puta ou era ela que não compreendia nada da Vida? O que era viver afinal? Segurar os outros aos ombros, ver as facadas nas costas e rir-se como se lhe desse um gozo enorme estar de pé mesmo com as feridas? Descobrir mentiras enterradas e já com raízes? 
Então, deixou de pensar e deixou andar. Como se não tivesse pés mas asas. No entanto, percebeu que não conseguia voar. Não sabia o que fazer. Ainda hoje não sabe. Mas, ela mantém se firme. Até ao dia. Depois, de se moldar de plástico tornou-se chumbo massisso. 

2 comentários:

bloom disse...

gostei muito, adoro a forma da tua escrita! ;)

Catarina disse...

amei este texto !