22 de abril de 2013

04:30 da manhã e uma insónia fodida.


Sou feita de insónias. Não me recordo da última noite em que me afoguei em sonhos ou em anjos em que era crente que me guiavam. Temo que me tenham morto a minha inocência sem ter sangrado ou sentido. Revejo-me no espelho. Nostalgia, desejo e força interior. Deitei a merda dos retratos que me assombravam no lume. Os nossos caminhos somos nós que os traçados então pergunto-me porque damos dois passos para trás sem reflectirmos no que estará a nossa frente? Velas acesas e incesos. Aqui fuma-se e formam-se diálogos. Não somos tímidos. A vida é fodida... Reside a umas ruas abaixo da minha. É intenso. Gosto sem medida da maneira como as pessoas vivem ao lado dele. Do quanto ele deixa viver. Nem sei se me engano. Sempre gostei de observar estranhos na berma da estrada. E, sempre gostei de rapazes com olhos verdes. 

Não somos tímidos. Somos perfecionistas de uma vida que gostaríamos de receber de mão beijada e de proporcionar aos outros mesmo que estes não merecessem. Estas insónias que não me deixam dormir fizeram-me perceber que dormir, foda-se, é uma perda de tempo. Apetece-me ir lá fora e conversar com um estranho. Fumar um cigarro. Esquecer-me que já estou noutro dia e que passado este dias vêm mais dias. Tenho memórias a rebobinar no meu cérebro. Afinal de contas, o que carregamos aos ombros? 

1 comentário:

Margarida disse...

cheguei a casa com a vontade de ligar o pc e ler-te... não me arrependi, garanto-te