8 de junho de 2013

O desfecho

Mastigo a seco a tentar convencer-me que não é dificil encarar que te perdi. É dificil saber que sabem que te perdi. Que nos perdemos. Que quem jurou encontrar-se sempre em cada esquina, hoje não sabe em esquina se encontrar. Perdi tanto em tão pouco e deste tão pouco o tanto não sobreviveu. Todas as memórias expostas na mesa que recuso a inalar, entram nas minhas veias durante a noite, fazem-me encarar mais uma vez de todas as vezes. Ainda se não vivesse numa casa onde te tive como companhia. Ainda se a mesa da cozinha não fosse a mesma com quem partilhei tantas refeições durante tantos anos. Ainda se as gavetas não tivessem cheios de papeis teus com a letra mais original que alguma vez verei. Ainda...
"Ele gostava muito de si" - Desmanchei-me em lágrimas. Olhei para as nuvens e vi que mais tarde ou mais cedo me iriam fazer companhia no choro. Só serei capaz de responder que os caminhos são cruzados. Que a vida é assim. Que filha de puta de vida, esta... É uma cruz maldita que carrego aos ombros. A nossa cruz. A nossa praga, maldição. Nunca te quis perder. 

3 comentários:

Gabriela. disse...

este texto está perfeito, escreves tão bem!
força*

tatianap disse...

E cada um de nós com uma cruz a carregar, com uma vida a nos surpreender... Força!

Inês Rodrigues disse...

Tento evitar, mas não consigo, prendo-me demasiado as emoçoes e continuo na duvida se algum dia conseguirei ultrapassar os meus medos e esta dor interminável assim como esta certeza insegura